- UFPE/
- Institucional/
- Pró-Reitorias/
- Pró-Reitoria de Extensão (Proext)/
- Notícias da Proext/
- Vozes costeiras, vozes profundas: a importância da Oceanografia Socioambiental para a vida em comunidade
Notícias Notícias
Vozes costeiras, vozes profundas: a importância da Oceanografia Socioambiental para a vida em comunidade
Projeto do Mês
O projeto de extensão “À vós, o mar”: Ações propositivas no contexto da Oceanografia Socioambiental voltadas às comunidades tradicionais pesqueiras da APA de Guadalupe (Pernambuco, Brasil) é uma iniciativa em Oceanografia Socioambiental voltada para as comunidades pesqueiras da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, visando, em meio a ações socioambientais e socioeducativas, criar espaços e fornecer argumentos de fala para as colônias de pescadores atendidas. Coordenado pelas servidoras técnico-administrativas Ana Paula Maria Cavalcanti Valença de Barros e Camilla Albertina Dantas de Lima, ambas do Departamento de Oceanografia da UFPE, o projeto é vinculado ao grupo EducaOcean, com o apoio do parceiro LMI-TAPIOCA, um laboratório interdisciplinar sobre a dinâmica física, biogeoquímica, ecológica e humana do Atlântico Tropical.
(Equipe do EducaOcean, s/d)

Logo do Projeto EducaOcean
Financiado pelo Edital PIBExt 03/2024 e alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, “À vós, o mar” surgiu da proposta do oceanógrafo Matheus Thauam Fernandes de Santana, pós-graduando em Oceanografia e membro da comissão organizadora do projeto, que, engajado com a relevância das Ciências do Mar para o desenvolvimento regional sustentável e a inovação social, sugeriu o projeto como um braço do EducaOcean, ação de extensão da qual já faziam parte ele, Ana Paula e Camilla.
“Ele [o projeto] veio como uma iniciativa minha de poder utilizar meu projeto atual da pós-graduação, minha pesquisa de mestrado, também em um projeto de extensão, tendo em mente uma forma de integrar mais pessoas da graduação que não têm tanto acesso aos conhecimentos relacionados à Oceanografia Socioambiental ou à Sociologia da Pesca, com a qual temos uma experiência, a meu ver, baixa, que poderia ser mais efetiva, mais integrada com outros aspectos da sociedade, da colônia, da nossa formação em si como oceanógrafos”, explica Matheus.
Dessa maneira, “À vós, o mar” atua para o mapeamento dos principais conflitos ambientais na região da APA de Guadalupe, formada pelos municípios de Barreiros, Rio Formoso, Sirinhaém e Tamandaré, intervindo por meio do uso da cartografia socioambiental e da realização de atividades educacionais e científicas. Os objetivos dessas ações são tanto estudar os aspectos naturais da região, buscando melhorias para a qualidade de vida dos ecossistemas, quanto dispor de formações continuadas para aqueles que dela fazem parte, valorizando, por meio do diálogo, os conhecimentos tradicionais das colônias de pescadores que ali vivem, visando fortalecer a governança socioambiental da APA ao promover reuniões com a participação dessas comunidades nas tomadas de decisões locais.
“A Oceanografia tem uma característica interdisciplinar porque temos quatro principais áreas, Química, Física, Biologia e Geografia, e isso já demanda esse caráter, e quando a gente começa a pensar nessas questões socioambientais, quando incluímos o elemento de como a humanidade gere essas questões, [tudo] fica ainda mais complexo. Temos a necessidade do olhar do Direito, direito do mar, direito das sociedades, temos outras profissões que vão agregar para isso. Dentro da Universidade, já temos o privilégio de poder trabalhar com estudantes em processo de formação, que vêm de diversas áreas para contribuir. Para mim, o que foi muito interessante nessa vinda do Matheus foi que ele já é fruto desse projeto de extensão [EducaOcean]. Ele participou e agora propõe. Então veja como a extensão foi importante nessa formação, cumprindo o dever dela de dar essa prioridade aos estudantes, esse papel de serem os atores principais e que querem compartilhar [seus conhecimentos] com a sociedade”, afirma Camilla.
(Equipe do projeto, 2024)
Primeiro encontro no município de Rio Formoso, PE
Além disso, “À vós, o mar” busca promover o diálogo transversal entre a academia e a sociedade, não só para as intervenções diretas que propõe, mas principalmente para a mobilização das lideranças locais para a preservação dos ambientes marinhos e costeiros, exercendo a escuta ativa das colônias pesqueiras tradicionais e buscando criar espaços e estratégias para que os membros destas possam exercer seus direitos e deveres como cidadãos. Nesse sentido, a escolha da APA de Guadalupe se deu devido ao contato prévio dos membros da equipe extensionista com sua gestão e com as lideranças de algumas das colônias pesqueiras locais, devido a iniciativas anteriores que foram desenvolvidas comunitariamente, a exemplo do trabalho conjunto que exerceram, em 2019, pelo EducaOcean, quando houve o trágico derramamento de petróleo nas praias do Litoral Sul de Pernambuco, momentos que atestam a importância desta abertura da Universidade aos seus arredores e da divulgação dos estudos socioambientais.
“O fruto deste trabalho é, na verdade, mais um braço do que viemos colhendo ao longo desses últimos anos na Oceanografia Socioambiental, no eixo de extensão, porque, até então, a parte socioambiental era vista, nas Ciências do Mar, como algo absorvido pelas outras áreas, mas que não tinha o protagonismo que ela agora está tendo. Lá no Departamento, de 2017 para cá [ano de fundação do EducaOcean], ela vem assumindo isso de forma tão importante que, com base nessa área, conseguimos aprovar um curso de especialização em Oceanografia Socioambiental na UFPE. Inclusive, as inscrições vão começar neste mês, e este vai ser o primeiro curso de especialização [do eixo] no país inteiro, ofertado a nível nacional porque as aulas serão on-line, em formato remoto, o que vai possibilitar que pessoas de todo o Brasil possam aprender, se inteirarem, sobre esta área”, informa Ana Paula.
(Equipe do projeto, 2024)
Primeiro encontro no município de Rio Formoso, PE
“Nesse contato com a comunidade, a gente começa a ter noção das demandas que ela tem, coisa que dentro da academia não conseguimos perceber com tanta acurácia. Percebendo essas demandas, começamos a pensar em algumas outras linhas para encontrar soluções. Eu acho que esse protagonismo, como Ana bem falou, da Socioambiental, vem desse contato. Percebemos a necessidade que a comunidade tem de que a Universidade se coloque no papel dela, trazendo então esses atores, essas conversas, esses diálogos, trazendo legislação, direitos, deveres também, trazendo componentes de como você pode se relacionar melhor com a sua atividade, com a sustentabilidade, todas essas coisas. Então, [esse reconhecimento] é fruto realmente deste contato”, acrescenta Camilla.
Para os estudantes extensionistas, ações como as desempenhadas pelo “À voz, o mar” são enriquecedoras para suas formações acadêmicas, isso devido ao entendimento da complexidade de suas atuações enquanto oceanógrafos através deste vínculo traçado com a sociedade. Marcus Vinicius Lima de Souza, um dos membros da equipe executora, declara:
“Uma coisa muito importante é o nosso papel muito mais de ouvir essas comunidades do que chegar lá como os grandes heróis que vão resolver todos os problemas. Algo que eu escuto muito fora da universidade é que os pesquisadores chegam nas comunidades, fazem suas pesquisas e vão embora. Não tem feedback muitas vezes. Muitas comunidades se sentem usadas. Eu acho que o viés que este projeto tem de observar toda a cadeia, chegar lá, ouvir e propor as atividades a partir das demandas deles [os pescadores] é o seu diferencial e o que a extensão em si traz para mim. [...] O projeto vem nesse intuito: como estamos como ouvintes, não queremos falar por eles, a gente quer garantir que eles tenham as ferramentas suficientes para que suas vozes sejam escutadas. Acho que esse é o principal objetivo da extensão: fornecer ferramentas para que as comunidades possam ser protagonistas da resolução de seus próprios problemas”.
“O título do projeto ‘À vós, o mar’ faz essa brincadeira, digamos assim, entre ‘a vós’, o mar, ‘a vocês, o mar’, e a ‘voz’ do falar e do ouvir. Esse título não foi escolhido aleatoriamente, foi pensado com esse teor”, complementa Ana Paula.
(Equipe do projeto, 2024)

Primeiro encontro no município de Rio Formoso, PE
“À vos, o mar” está aberto para os discentes da graduação ou pós-graduação de qualquer curso. Os interessados podem entrar em contato com a coordenação do projeto via e-mail e também são convidados a conhecer a ação de extensão que deu origem a ele, a EducaOcean, e suas linhas de atuação para a construção de uma sociedade mais engajada nas lutas socioambientais. Para realizar a inscrição no curso de especialização em Oceanografia Socioambiental, o contato pode ser feito por meio de seu perfil no Instagram, com inscrições previstas para o período entre 27 de fevereiro a 14 de março deste corrente ano.
Para saber mais:
- E-mails institucionais das coordenadoras do projeto “À vos, o mar”: ana.mcvalenca@ufpe.br; camilla.lima@ufpe.br;
- E-mail do projeto EducaOcean: projetoeducaocean@gmail.com;
- Instagram do projeto EducaOcean: https://www.instagram.com/educaocean;
- Site do projeto EducaOcean: https://www.educaocean.com.br/;
- Instagram da Especialização em Oceanografia Socioambiental: https://www.instagram.com/oceanosocioambientalufpe.