Notícias Notícias

Voltar

Nova espécie de anêmona-do-mar é encontrada no Ceará

O registro paleontológico do invertebrado marinho é considerado uma raridade

Fósseis de uma nova espécie de anêmona-do-mar, datados de mais de 400 milhões de anos e encontrados na Formação Ipu, no Ceará, foram documentados por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e The Ohio State University (OSU - Estados Unidos). A descoberta do invertebrado marinho, cujo registro paleontológico é considerado uma raridade, está publicada em artigo na revista Earth History and Biodiversity, disponibilizada no dia 10 de janeiro. 

Os achados fósseis são referentes ao período Siluriano, na Era Paleozoica, momento marcado pela recuperação de grupos de organismos após a extinção em massa do Ordoviciano, o que pode estar relacionado ao aparecimento da nova espécie. Denominada Arenactinia ipuensis, a nova espécie de cnidários pode medir até 14cm de altura. Esses indivíduos possuem um disco oral com tentáculos discretos, uma cavidade interna, uma coluna e uma fisa na região aboral. As formas do corpo podem ser discoidais, cônicas, cilíndricas, achatadas ou bipartidas com o corpo dividido em uma coluna cilíndrica e base expandida. 

“A variação morfológica observada na assembleia de Ipu difere daquela das anêmonas-do-mar fósseis descritas anteriormente, mas é muito semelhante às formas geradas por algumas anêmonas modernas que se enterram em substratos macios”, explica a pesquisadora Sonia Agostinho, do Departamento de Geologia e do Programa de Pós-Graduação em Geociências da UFPE e uma das autoras do artigo.

O trabalho, intitulado “Insights into the lifestyle and preservation of Arenactinia ipuensis n. gen. et n. sp. (Anthozoa, Actiniaria) from the Early Silurian (Ipu Formation, Parnaíba Basin, Brazil)”, também é assinado por Francisco Rony Gomes Barroso (primeiro autor; doutor em Geociências pela UFPE, que deu início a este estudo durante o curso de doutorado), Maria Somália Sales Viana (UVA), Marymegan Daly (OSU), Thomas Rich Fairchild (USP), Antonio Carlos Marques (USP) e Mírian Liza Alves Forancelli Pacheco (UFSCar).

Os fósseis da nova espécie foram encontrados na Formação Ipu, que compreende os sítios paleontológicos localizados nos municípios cearenses de Graça, Ipu, Pacujá, Cariré e Santana do Acaraú, numa extensão total de 135 km. Em geral, os fósseis de anêmonas são raros na paleontologia porque esses invertebrados têm rápida decomposição após a morte, pois são gelatinosos e não possuem partes duras, como conchas ou esqueletos minerais, que facilitam a fossilização. Além disso, vivem principalmente em substratos moles, como areia e lama, onde a preservação de organismos é menos comum.

“Uma das principais evidências que sustentam a hipótese de que esses moldes [da nova espécie encontrada pelos pesquisadores] pertencem a anêmonas-do-mar é a preservação de muitos espécimes com a região aboral expandida, frequentemente exibindo variações na fisa – uma estrutura essencial para a escavação do substrato inconsolidado, onde esses organismos se enterram”, ressalta Sonia Agostinho. Adicionalmente, exames de tomografia computadorizada revelaram a presença de uma cavidade interna e de estruturas anelares nos achados, comparáveis aos músculos transversais das anêmonas.

As anêmonas-do-mar vivem exclusivamente em água salgada, sendo encontradas em diversos ambientes marinhos, desde recifes tropicais até as profundezas do oceano. Elas têm papel importante, entre os quais oferecer abrigo para peixes e invertebrados e ajudar a regular a cadeia alimentar ao predar pequenos organismos.

A alimentação das anêmonas contribui para a reciclagem de nutrientes no ecossistema. E algumas espécies formam parcerias simbióticas com algas e outros animais. Além disso, elas servem como bioindicadores ambientais devido à sua sensibilidade às mudanças nos oceanos.

Data da última modificação: 06/02/2025, 14:18